Religiões -Seitas - Heresia

01 - Dia do Halloween - Origem e significado

02 - Florais de Bach

03 - Maçonaria - Origem, estrutura e objetivo

04 - Tatuagens, Piercings e outros modismos

 

O EVANGELHO DE JUDAS

 

Ap Paulo Ventura

 Como vem ocorrendo com certa freqüência nos últimos tempos a nata de ateus intelectuais de todo o mundo, amparada numa mídia faminta pelos confrontos sociais, e que têm como alvo a religião, seja ela qual for, mas com uma predileção maquiavélica pelo cristianismo, com o intuito de desgasta-lo, já que não pode destruí-lo, aparece com mais uma de suas aberrações infundadas, visando levantar suspeitas sobre a veracidade do relato bíblico.

Estas bobagens não estremecem nem um milímetro si quer as estruturas do cristianismo, seja sua vertente tradicionalista e idólatra representada pelo catolicismo, ou sua face mais progressista, combativa e atuante encontrada no mundo dos evangélicos.

Todavia se não estremece, pelo menos confunde a cabeça daqueles que não se aprofundando nos assuntos da religião, crêem que na mídia podem encontrar verdades que nunca pesquisaram nas escrituras sagradas ou nos milhares de publicações teológicas sérias formuladas e escritas por teólogos equilibrados e sérios em todo o mundo, através dos séculos.

A mídia não esclarece. Ela apenas publica o pensamento de pseudos instruídos no assunto. O questionável nesta estória é que os entrevistados são aqueles cujas opiniões agradam à mídia. Pergunta-se porque a mídia não ouve o “outro lado”? Porque não buscar fontes seguras, como os rabinos eruditos nos manuscritos antigos, ou arqueólogos acostumados a verificar autenticidade de documentos e peças antigas? 

Quando me refiro à mídia, incluo nela também as editoras interessadas no assunto, e, que muitas vezes financiam instituições ou pessoas que lhes dêem bons resultados, uma vez que, tais “descobertas ou novidades” são depois traduzidas e publicadas para todo o mundo trazendo um excelente lucro ao empreendimento. Muitos até se tornam filmes como foi o caso do “Código da Vinci”. Não me surpreenderá se daqui a algum tempo vermos estrelar nas telas a produção de Hollywood “O Evangelho de Judas”.

 

DE QUE SE TRATA O “EVANGELHO DE JUDAS”?

 Na verdade é um papiro com aproximadamente 1700 anos, escrito pelos gnósticos da seita dos cainitas, que eram especialistas em criar documentos para reabilitar pessoas de má índole nas escrituras, tais como Caim, Judas, os sodomitas etc. Ele foi encontrado numa caverna no Egito, em 1978, tendo suas cópias distribuídas para vários pesquisadores, arqueólogos, lingüistas, teólogos, rabinos de todo o mundo e com reconhecida capacidade para restaurá-lo e interpreta-lo. O projeto foi apoiado e financiado pela “NATIONAL GEOGRAPHIC SOCIETY”

Ele está redigido numa linguagem COPTA, que é um dialeto egípcio antigo. Entretanto o texto original produzido pelos cainitas teria sido em grego, no século II e depois traduzido para o copta. Os documentos encontrados são os do século IV (em copta) e não os do século II (em grego).

Os manuscritos encontrados agora, segundo as informações liberadas teriam 26 páginas, embora em alguns círculos tenha sido mencionado o total de 62 páginas, se for considerada a descoberta de 1950, que é a única descoberta em linguagem copta de que se tem noticia.

Na verdade não se pode chamar de “descoberta”, porque estes manuscritos são do conhecimento público desde sua publicação original. A igreja cristã em diversas ocasiões já tinha tratado do assunto e descartado qualquer possibilidade de considerar esta documentação como canônica.

Irineu de Lyon, um dos pais patrísticos da igreja, que viveu de 130 a 202 dC, quando escreveu uma de suas famosas obras, no ano 180 dC, “Contras as Heresias”, tratou deste evangelho de Judas como sendo uma obra ilegítima e acusou os Cainitas de a terem produzido.

A opinião de Irineu não pode ser desprezada, porque ele foi um discípulo fiel de Policarpo, com quem aprendeu as verdades do evangelho. Policarpo, por sua vez foi discípulo do apóstolo João, autor do evangelho que leva seu nome, de suas epístolas pastorais e do apocalipse.

Epifânio, um bispo católico que viveu no quinto século, também criticou asperamente o evangelho de Judas, citando a intenção de transformar Judas num sujeito de boa índole desmistificando seu perfil de traidor.

Apesar de ter sido encontrado em 1978, o documento foi mantido em sigilo enquanto os especialistas trabalhavam nele. O responsável pela tradução do texto copta, foi o alemão Rudolph Kasser, que é respeitado em todo o mundo como o melhor conhecedor do dialeto copta. Sob sua supervisão foram traduzidas e liberadas cópias para o inglês, francês e alemão.

A “NATIONAL GEOGRAPHIC SOCIETY” escolheu o dia 6 de abril deste ano (2006), para anunciar com estardalhaço a sua “descoberta”.

A título de informação quero informar também que a “NATIONAL GEOGRAPHIC SOCIETY”, não é a única proprietária dos manuscritos. Ela tem como sócia a fundação suíça, com endereço na Basiléia, “MAECENAS FOR ANCIENT ART”, que traduzindo para o português seria: “Mecenas para Arte Antiga”.

 

QUEM FOI O AUTOR DO “EVANGELHO DE JUDAS”?

 Há uma insistência nos textos publicados até agora em colocar Judas Isacariotes como o autor deste evangelho.

Ora se de fato os pesquisadores, seguindo a linha de raciocínio da igreja confirmam que o documento é datado do século IV, com versão anterior, em grego, do século II, há uma questão difícil de ser entendida: A Bíblia informa, e nós cremos nisto, que Judas Isacariotes se suicidou. A sua morte ocorreu quando da prisão de Jesus Cristo, ou seja, na primeira metade do século I. Como poderia ter escrito alguma coisa no século II?

 “Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se. E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.” (Mateus 27:3-6)

  Tanto Irineu como os demais estudiosos deste manuscrito nos primeiros séculos atribuíam a autoria aos gnósticos, com especial indicação que o segmento gnósticos dos Cainitas é que foi o responsável pela sua formulação.

Segundo o pesquisador e teólogo Augustus Nicodemus, juntamente com este manuscrito foram encontradas também, mais duas obras no mesmo rolo: “Carta a Filipe”, atribuída ao apóstolo Pedro e “A Revelação de Jacó”, onde o autor não é mencionado, mas cujo conteúdo trata da vida do Patriarca.

Uma outra questão acerca da autoria é relatada pelo Pr Airton Costa, do grupo de debate grata nova, ao cobrar da grande mídia que nenhum dos articulistas de nenhuma publicação se preocupa em identificar qual dos “Judas” seria de fato o pseudo autor, numa demonstração clara de que ninguém está interessado em saber das origens dos manuscritos ou dos seus autores. O querem na verdade, é polemizar a respeito do texto onde Judas, o Isacariotes, dá uma de inocente alegando que Cristo pediu para ser traído.

Você encontra no Novo Testamento pelo menos quatro nomes de Judas:

 Ø   Judas, irmão de Tiago. Lc 6.16 – Jo 14.22. Era um dos apóstolos.

Ø   Judas Barsabás – At 15.22 – Que foi a Antioquia com os apóstolos

Ø   Judas de Damasco – At 9.11 – Que recebeu Paulo quando de sua conversão. Morava em Damasco, na Rua Direita.

Ø   Judas, irmão de Jesus. Mt 13.55 – Mc 6.3. Tornou-se apóstolo, embora não pertencesse ao grupo dos doze.

Ø   Judas Iscariotes. Já tão conhecido de todos.

 Não existe, portanto nenhuma dúvida que Os gnósticos Cainitas escreveram estes manuscritos, com o intuito de desmoralizar o cristianismo, já que uma das questões gnósticas era justamente não aceitar, que o cristianismo, que se espalhara pelo mundo e se fortalecia cada vez mais, tivesse literatura escrita por pessoas indoutas como Pedro, João e outros.  

 

QUEM ERAM OS “GNÓSTICOS”?

 O gnosticismo é uma palavra originada no termo grego “gnosis”, que significa “conhecimento”. O gnosticismo é um conjunto de heresias surgidas e difundidas amplamente na igreja primitiva. Ao contrário das heresias dos fariseus, saduceus e outros grupos fundamentalistas religiosos das época, o gnosticismo foi mais difícil de combater porque se desenvolveu dentro da igreja.

Há um pensamento entre os eruditos que analisam as heresias na igreja primitiva que o gnosticismo surgiu de elementos gregos e orientais, sob a influência do judaísmo disperso. Ou seja, surgiu a partir de judeus que por circunstâncias diversas haviam se afastado do compromisso com o judaísmo puro, mas sem se aproximar do pensamento cristão. Queriam elitizar a espiritualidade pelo conhecimento em rejeição aos ensinos de Cristo.

Nas epístolas nota-se claramente o esforço dos apóstolos em combater a filosofia gnóstica que se formava dentro da igreja, apesar de não representarem um grupo organizado, mas ganhavam cada dia mais adeptos.

Eles criam na salvação pelo conhecimento, sem a necessidade de arrependimento e conversão. Isto tornava sua pregação simpática e mais aceitável que a doutrina dos apóstolos, considerada rigorosa por eles.

Nas epístolas de Paulo aos Coríntios, Colossenses e a Timóteo vemos o apóstolo mencionar e corrigir duramente a falsidade de seus ensinos. 

 “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina,  nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé.  Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia.  Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola,  pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações.” (1 Tm 1:3-7)

 Nestas palavras Paulo se referia a alguns que disseminavam sua retórica filosófica, composta de mitologia e genealogia no meio dos cristãos.

No final de sua primeira epístola a Timóteo, Paulo menciona de modo claro e inconfundível os gnósticos:

 “E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, (gnósticos) como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé. A graça seja convosco.” (1 Tm 6:20-21)

 O gnosticismo demonstrava forte influência da filosofia Pitagórica, e Platônica. O seu lado esotérico provavelmente vinha das antigas filosofias que surgiram e se desenvolveram na Babilônia, Antigo Egito e na Grécia.

Diziam eles que o conhecimento poderia ser adquirido através de “transes”, onde o espírito da pessoa saia do corpo e ficava livre para circular por outras dimensões, onde de modo sobrenatural o conhecimento era recebido.

Para eles o mundo visível incluindo o corpo humano era obra de espíritos considerados inferiores, ou satânicos, por isso, só através do conhecimento se poderia chegar a um estágio superior, libertando-os da servidão de um corpo feito pelo diabo.

Por isto espalhavam entre os irmãos que Jesus não era Deus que havia se manifestado em carne, mas apenas um espírito que havia se apoderado de um corpo.

Para tentar sustentar as suas heresias eles produziram literatura apócrifa e a apresentavam como sendo verdadeira e canônica. Entre essas fraudes encontramos: “O Evangelho de Pedro”, “Carta a Filipe”, “O Evangelho de Maria”, sobre Maria Madalena, colocando-a como “muito próxima” a Jesus, “Revelação de Jacó” e incluindo-se neste grupo “O Evangelho de Judas”.

Os pais da igreja foram unânimes em rejeitar estes escritos. Os seguidores do gnosticismo tentavam passa a idéia de que tal literatura havia sido escrita no primeiro século, para lhes conferir autenticidade. Mas na verdade, foram produzidas do século II até o IV.

E razão de tantas evidências não pode haver dúvidas que este “Evangelho de Judas”, é apenas uma falcatrua, das muitas que já surgiram e outras que surgirão para criar dificuldades para o cristianismo, estimuladas pela tola insistência dos céticos inimigos da Cruz de Cristo.

 

 PORQUE SE DEU TANTA IMPORTÂNCIA AO “EVANGELHO DE JUDAS”?

 O que chamou a atenção nesta “descoberta” foi a tentativa de apresentar uma nova versão para um dos fatos mais dramáticos registrados em o Novo Testamento: A traição de Judas Iscariotes contra Jesus Cristo. Pela versão gnóstica a traição não existiu, porque Jesus teria “combinado” com Judas que ele o entregaria às autoridades para que se consumasse a prisão, o sofrimento e a crucificação. A intenção dos gnósticos era apresentar Judas como uma pessoa boa, jogando por terra a idéia de traição.

A intenção da mídia é apenas provocar polemica num assunto que para os cristãos é completamente irreversível. É um dos pilares na paixão de Jesus Cristo.

Os textos extraídos do “Evangelho de Judas” que causam este delírio cético são os seguintes, entre tantos outros textos polêmicos:

 

Primeiro Texto:

 

(1) “Sabendo que Judas estava refletindo sobre algo elevado, Jesus lhe disse: ‘Afasta-te dos outros, e eu te contarei os mistério do Reino. É possível para ti alcança-lo, mas sofrerás muito, pois outra pessoa vai tomar teu lugar para que os doze (apóstolos) possam outra vez chegar a completude com seu deus’”.

 

 

Segundo Texto:

 

(2) “Jesus respondeu, dizendo: ‘Tu te tornarás o décimo - terceiro e serás amaldiçoado pelas outras gerações, e virás a governá-las. Nos últimos dias, ele hão de amaldiçoar tua ascensão à geração sagrada”.

 

 

 

Terceiro Texto:

 

(3) “Mas a todos excederás, porque tu sacrificarás o homem que me veste”.

 

 

 

No primeiro texto onde a palavra “deus” aparece com letra minúscula é uma referência esotérica ao homem interior, porque para eles o espírito (a parte interior) era divino e o corpo era considerado maldito. O que Jesus teria chamado de completude seria a elevada vida no espírito. Este tipo de ensino não é encontrado em lugar nenhum da Bíblia. Nem no Antigo nem no Novo Testamento. É pura heresia. É uma delirante fantasia gnóstica.

 

No segundo texto está escrito que Judas Iscariotes governará e seria amaldiçoado pelas gerações futuras, as quais seriam governadas por ele.

Ora a Bíblia nunca menciona algum plano divino com Judas Iscariotes. Ele sempre é citado na Bíblia como pecador, como traidor, como uma pessoa que se afastou e com a consciência sofrendo, suicidou-se. Como pode um suicida que rejeitou as coisas divinas, ser chamado para governar o povo de Deus?

E na Igreja primitiva, era noticia corrente, não somente entre os cristãos, mas também entre os incrédulos a traição e o suicídio de Judas.

 

“Porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.)” (Atos 1:17-19)

 

Os gnósticos diziam que Judas não havia se matado segundo eles na ocasião da prisão Judas Iscariotes teria fugido para não morrer.

 

No terceiro e último texto a expressão “... o homem que me veste”, jamais poderia ser aplicada a Jesus Cristo. Jesus não era um homem comum. Ele era Deus que se homem. Ele não, conforme ensinava o gnosticismo, um espírito que possuía corpo. Heresia sem nenhum tipo de sustentação teológica.

 CONCLUSÃO

 Existem outros textos neste “Evangelho de Judas”, mas neste pequeno estudo procuramos apenas dar uma visão geral e refutar aquilo que tem sido mais comentado na mídia.

Para mim nem vale a pena os cristãos perderem horas a fio discutindo sobre heresias que nem de longe, causam problemas ao cristianismo. Nós temos fortes convicções a respeito daquilo que cremos. Nossa preocupação é com os crentes novos que muitas vezes, por não conhecerem as escrituras, se deixam levar pela sedução da grande imprensa ou por discursos impressionantes mas destituídos de comprovação bíblica.

Para nós a Bíblia ainda é e será sempre a infalível Palavra de Deus. Essas “mirabolantes descobertas” jamais poderão abalar os alicerces do Cristianismo, que foi edificado na rocha e cujos fiéis estão convictos do Deus a quem servem.

A recomendação que fazemos e repetimos constantemente para os irmãos é que nunca deixem de estudar as escrituras. A oração e as nossas devoções pessoais nos aproximam do Senhor. Mas o estudo da Palavra nos leva a conhecê-lo cada vez mais e impede a nossa destruição, conforme Ele mesmo declarou em Os 4.6.

Não pode o cristão deixar de aprender as verdades do Senhor em sua Palavra. Paulo escrevendo aos gálatas advertiu-os de que qualquer “outro evangelho” deveria ser considerado maldito.

 

“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gl 1:8)

 Espero que o Senhor te abençoe com este estudo e o ajude a compreender estes ataques desferidos contra o cristianismo.

O Senhor seja contigo!!!